terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma programação metida a Sinestésica

Minha primeira intenção seria a de relacionar notas com formas e cores específicas. Tabelas relacionando freqüências de notas musicais e de cores existem aos montes na história. A Sinestesia é um mistério que há muito vem fascinando a humanidade. Na internet é fácil de encontrá-las. Quanto à forma, eu pensava em trabalhar com a duração das notas. Notas curtas gerariam um arco com o raio tendendo ao infinito, ou seja, pequenas retas, ao passo que nas notas longas, o raio cairia exponencialmente, gerando curvas cada vez mais fechadas. Assim, por exemplo, "Jesus, Alegria dos Homens", de Bach, geraria uma escadinha, enquanto provavelmente Chopin nos levaria à uma chuva de circunferências. Levando à prática o resultado que eu encontrei não me agradou, de modo que eu tive que reajustar minhas idéias. Liguei um teclado midi ao computador e o conectei ao Processing através do ProMidi. Ali eu encontrei três variáveis para cada vez que eu apertasse em alguma nota do teclado: Pitch, Velocity e Length. Resolvi utilizá-las para definir as cores e as formas das músicas que eu tocasse. Pra definir as cores, nos encontramos defronte 4 variáveis: uma definindo a transparência e as outras três as cores RGB. Já na construção do arco, temos que definir dois pontos de localização x e y, dentro de um eixo cartesiano; mais dois pontos: um para a largura e outro para a altura do arco e dois pontos mais definindo seu início e fim. O que passou é que os números encontrados com as variáveis fornecidas pelo ProMidi eram muito próximas, de modo que resultava em um conjunto de objetos semelhantes, com uma pequena variação cromática e todos juntinhos na tela. Estava, no final das contas, obras visuais muito engessadas, sem graça. Resolvi que deveria ter um pouco mais de molho, um pouco mais da aleatoriedade que faz com que cada peça musical seja diferente e nos emocione também de maneira diferente a cada vez que é tocada. Assim, ao invés de usar a variável nua e crua, pedi para que cada vez que eu tocasse, o computador sorteasse, de maneira randômica, um número entre duas variáveis fornecidas pelo ProMidi, multiplicadas por algum fator constante. Dessa maneira, minha programação terminou assim:

MidiIO midiIO;

void setup(){
  size(800,800);
  smooth();

  background( 0);
  
  //get an instance of MidiIO
  midiIO = MidiIO.getInstance(this);
  println("printPorts of midiIO");
  
  //print a list of all available devices
  midiIO.printDevices();
  
  //open the first midi channel of the first device
  midiIO.openInput(0,0);
}

void draw(){
  //nothing to do here
}

void noteOn(Note note, int device, int channel){
  int vel = note.getVelocity();
  int pit = note.getPitch();
  int len = note.getLength();



  fill(230,random(vel/255,255), random(len/255,255), random(pit/255, 255));
  
  stroke(230,pit);
  
  arc(random(pit*5,len*25),random(vel,pit*10),random(vel,pit*10),random(len,vel*10), PI, PI/random(len/4,len/2));


Assim eu encontrei imagens muito mais interessantes, que têm, na verdade, muito mais aproximação com o que eu pensava no primeiro momento. Alguma idéias práticas vieram. Agora penso que podemos, a partir disso, criar um ambiente de exposição interativo, onde tenham captadores espalhados pelo chão e pela parede, ligados a um arduíno que, conectado ao computador utilizando talvez a livraria RwMidi, funcionem como um teclado midi, aproveitando-se dos sons existentes no GarageBand, em que, à medida que o público caminhe ou toque em alguma coisa, é gerado um som e uma forma como as mostradas a seguir.
Coloco algumas imagens finais de algumas melodias que eu mesmo toquei, no teclado midi ao som de um sax virtual e alguns vídeos mostrando todo o processo de construção da imagem ao longo da música.

Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Um Cluster.

A escala de Dó maior.

A escala de Ré menor.

Garçom, de Reginaldo Rossi.

Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Um harpejo do acorde de Sol com 7.

Juazeiro, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Uma escala do modo Lócrio.

New York, New York, de John Kander e Fred Ebb.









sábado, 28 de abril de 2012

Aconchego!

Música nova que fiz com o Filipe! Nessa eu to botando fé! Quem for cantor e quiser gravar é só falar aqui comigo! hahaha
Espero que gostem...


ACONCHEGO
(Filipe Braun e João Lucas)

Aconchego mesmo é o aconchego
que tu acha aqui no peito
cafungando no cangote do teu nêgo!

Olha, se temos nossa casinha 
vou lhe mostrar o aconchego
quando chego, onde é que tá
Ele vem bem, já vem vestido de pijama:
o pijama de quem ama é mais macio!

E toda vez que eu rio da pantufa que tu usa...
que ela é de vaquinha, lembra o café da manhã
e o cafuné que de manhã a gente toma
e sonha no fundo da rede com o pão quentinho
que a preguiça...
a preguiça que não deixa ele chegar!

Aconchego mesmo é o aconchego
que tu acha aqui no peito
cafungando no cangote do teu nêgo!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Grande Mumu!

Achei esse documentário sobre o Mumu, do Canal Brasil... É excelente, Mussum é formidável demais!





sábado, 21 de abril de 2012

Assim tu se Fróide, má!

O carnaval desse ano passamos aqui no frio da Espanha. Eu e a Isabelle ficamos só sonhando com o carnaval no Brasil, doidos pra estar por lá... e os amigos só fazendo inveja. A vontade de ir pro Sanatório também estava grande, que já é nosso melhor carnaval! Foi nesse clima que eu fiz essa musiquinha aí, uma homenagem ao bloco. Além dela acho que ainda tem mais umas duas por aqui! Agora que eu tenho essa gravação minimamente decente, aí está "Assim tu se Fróide, má", num arranjo que fiz com o Filipe Braun!


Assim tu se Fróide!
(João Lucas)

Assim tu se fróide, má
assim tu se fróide!

Já vai pra rua
e não vai com brincadeira
entornando a vida inteira
num calor que é de lascar
e no valseado desse alegre
samba-enredo,
deixa o chaboque do dedo
na esquina lá do bar!

Assim tu se fróide, má
assim tu se fróide!

Desce um espeto
de colega com farofa
que a turma toda gosta
para o rango agasalhar
e nesse compasso
vai até o fim do mundo
vai que nem o Sigismundo
pode te acompanhar!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Alguns desenhos iluminados com aquarela...

Me meti, não sei porque cargas d'água, em uma disciplina de pintura. Agora estou nessa peleja travada... Não são exatamente o que se pode chamar de pintura ou de aquarela, isso o professor me deixou bem claro, porque aí o mais importante é o desenho. No caso então, são desenhos iluminados com aquarela. De qualquer forma, sabendo que eu sou na verdade arquiteto e não pintor, creio que o professor topou minha empreitada. Coloco alguns desses desenhos que fiz até agora para que vocês dêem uma olhadela! Um grande abraço!

Um bule, ou como chamam aqui, tetera...

O bule com aquarela

esse é sem instrumentos de construção, à mão livre

tentei dar uma racionalizada no pimentão... hahahahaha

o pimentão com aquarela

esse prédio é na minha rua, uma loja de sapatos chinesa
uma igreja lá na Alhambra, pela perspectiva dá pra notar que eu fiz a partir de uma foto né...

Aqui também é na Alhambra, em Granada.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Vingança da Gitana

O negócio agora é assim... todo dia a gente faz pelo menos uma música! Essa aqui achamos que ficou legal e então, na minha ânsia de mostrar pra todo mundo, já vou postando ela aqui... Escutem primeiro, depois a gente conversa mais! Ah! Acompanhem com a letra!


A Vingança da Gitana
(Filipe Braun e João Lucas)

Ela era solamente una gitana
que seu corpo bailava sem parar
mas um dia se viu atraicionada
por aquele que fervia o sangue seu
ela chorou, roeu e arriou-se
mas então resolveu se alevantar
mirou seu baralho vidente
e seu destino agora era vingar-se!

E a vingança da Gitana então nasceu!

Ela tratou de duas galinha preta (tosse)
para fazer macumba eficiente
teve aulas com um espadachim
um japonês ensinou-lhe o karatê
e foi treinando disciplinadamente...

E a vingança da Gitana começou!

Voam cabeças, braços, mãos, pernas...
Jorra muito sangue para o chão.

E ela terminou no filme do Quentin...

E a vingança da Gitana se acabou
E a vingança da Gitana começou
e a vingança da Gitana não parou!


Essa música cinematográfica a gente dedicou para Sidney Magal e Quentin Tarantino! Quem viu Kill Bill acho que tem tudo pra gostar...
Digam aí o que vocês acharam! A opinião de vocês é importante pra gente dar continuidade "aos trabalhos"!

domingo, 15 de abril de 2012

Minha cidadezinha qualquer...

Fiz essa música há um bom tempo atrás e deixei ela encostada. Agora que eu e o Filipe, o Braun, estamos em alta produção, desenterrei ela dos mais profundos confins do meu hd e fizemos esse arranjo. Nossas vozes são um quebra-galho enquanto não aparece alguém que cante dignamente. A letra é baseada no poema do Drummond, chamado "Cidadezinha Qualquer", que diz: 

Cidadezinha Qualquer
(Carlos Drummond de Andrade)

Casas entre bananeiras 
mulheres entre laranjeiras 
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar. 
Um cachorro vai devagar. 
Um burro vai devagar. 
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus. 

De Alguma poesia (1930)

Fiz então a letra que se chama "Minha cidadezinha qualquer", construí essa melodia, e agora mostro pra vocês essa versão...




Minha Cidadezinha Qualquer
(João Lucas)

Nas bananeiras, nas laranjeiras tem
Tem muita casa e tem mulheres, tem
E num pomar há um amor a cantar...

Cão devagar, olhar devagar,
tão devagar não dá!
Não tem Drummond,
não tem mais jeito
Que vida besta, oh Deus! (adeus!)